Dácio Campos, comentarista de tênis da SporTv, há uns 3 anos afirmava pausadamente e com muita ênfase: - Guardem esse nome: é Djo-ko-vic! Hoje ao ver Novak Djokovic ganhar de forma magistral o mais importante torneio de tênis do mundo, Wimbledon, materializa ali na partida final a relevância da competição como forma de desenvolvimento humano. Durante anos Djokovic jogou com Nadal e Federer e suas chances de vencê-los era reduzida. De forma consistente os padrões de jogo, físico e mental dele aprimoraram-se e agora é o atleta a ser batido nas quadras. Acrescente-se o fato de que compartilha o histórico momento em que vivem aquele que é considerado o maior tenista de todos os tempos, Federer; e um dos mais fortes atletas mentais da história, Nadal; seu feito ganha dimensões épicas.
Na raiz da competição estão a cooperação e a generosidade. Se você e eu competimos então há o compromisso de que jogarei com você e darei o meu melhor e espero que você faça o mesmo. E ao darmos o nosso melhor cooperamos para nos aprimorarmos. Generosidade porque não há vitória ou derrota eterna e enquanto nos dispusermos a jogar, estaremos sempre evoluindo. Como Federer, Nadal e agora Djokovic nesses anos fantásticos que vivemos no tênis.
Essa é a competição sadia. Aquela que desenvolve pessoas.
Entretanto, quando olhamos nas empresas, é evidente que os profissionais temem a competição dentro delas. O estresse, as injustiças, as deslealdades e ausência de regras degeneram a competição para ações destrutivas e por vezes auto-destruidoras das próprias pessoas e de suas carreiras profissionais.
Avaliando as razões, três são determinantes:
1) Favorecimento desleal: quantas vezes não vemos nas empresas se abrirem oportunidades relevantes de projetos ou processos de contratação e muitos profissionais qualificados, inclusive de dentro da empresa, serem descartados por "não cumprirem as exigências do cargo". Logo depois se anuncia o vencedor: um amigo de longa data daquele que está contratando. Evidentemente com todas as evidências de que está preparado. Assim como em um jogo em que o favorecimento de um atleta desanima os demais, nas empresas favorecimentos desanimam e tiram o desejo dos profissionais de se desenvolverem. Sou extremamente a favor de networking, marketing pessoal e habilidades política e de influência. Mas, desde que sejam usadas de forma limpa por profissionais que são reconhecidamente de excelência em tudo que fazem.
2) Líderes desonestos: chefes que não são claros quanto aos propósitos e objetivos da empresa, do departamento ou de uma determinada tarefa. Que não sabem esclarecer planos de ação e principalmente, são incapazes de declarar seus critérios de decisão, criam um ambiente de desânimo, descrença e insegurança a todos. Bons líderes desenvolvem bons líderes, não bons seguidores. Um chefe arbitrário cria um senso de individualismo e auto-sobrevivência a todos que estão abaixo de si, preocupados mais em se manter empregados do que em se desenvolver e produzir cada vez mais resultados para a empresa e seus clientes.
3) Discurso e prática desconectados. Empresas que possuem valores, missão e visão escritos em uma placa na sua recepção, mas cujos líderes não conseguem transformá-los em ações práticas produzem como resultado uma rotina trágica de decepções e desmotivação. A cultura de uma empresa que não está expressa nos comportamentos de seus líderes, nos sistemas e nos símbolos dela é uma cultura moribunda. Assim, uma companhia diz que valoriza a satisfação dos clientes; mas seus profissionais são bonificados somente por vendas. Ou deseja a meritocracia, mas na verdade aceita que resultados sejam maquiados em processos e sistemas para que pessoas apareçam bem na foto da auditoria. E ainda existem aquelas que declaram que desejam que os profissionais se sintam responsáveis por suas ações, mas na verdade usam esse discurso para culpá-los por erros de natureza estratégica.
Não há como se criar um processo sadio de competição e desenvolvimento de talentos em empresas com esses graves equívocos.
Desenvolver pessoas, especialmente novos líderes deve ser um propósito permanente em toda organização. Ela somente poderá existir daqui a 5, 10 ou 20 anos se tiver líderes formados de forma consistente, com ética, valores e propósitos elevados. O mundo e as pessoas estariam em melhor situação se fossem desenvolvidos dessa forma. Muitos dos problemas que enfrentamos hoje na economia mundial, por exemplo, são resultados de líderes executivos sem caráter que preferiram a fraude à excelência. Optaram pelo resultado a qualquer custo e pela ausência de ética na condução de seus negócios. Não se formam boas pessoas em ambientes com esses fundamentos.
Vida longa a Djokovic, Nadal e Federer, que seus exemplos de competição sadia e ética sejam fomentados para preencher cada vez mais o propósito de prepararmos e formarmos pessoas e empresas campeãs. Vamos em frente!
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Enviado por Sílvio Celestino - 25.6.2011 | 20h27m
Sobre as estrelas que brilham por você
Nessa semana encontrei vários profissionais que estão passando por uma espécie de inferno astral em suas carreiras e vidas. Momentos muito difíceis: demissão inesperada, chefes psicopatas e graves doenças em pessoas da família. Isso me fez lembrar e rever um DVD que ganhei de presente há algum tempo e que mencionava o Musical Harmony de 2.001 . Esse musical nos faz pensar nesses momentos que são tão desesperadores que nos fazem declarar a nós mesmos: “Devo continuar ou... não?”
A história se passa nas décadas de 20 e 30 em uma Alemanha que se torna paulatinamente um país feroz sob o manto do nazismo que de forma inexorável recai sobre seus habitantes. Um dos personagens se vê totalmente sem esperança em meio às trevas. Está preso, sendo torturado, sente a morte aproximar-se e escreve a seu amor no auge de seu desespero: “por certo, Deus está morto. É o fim.” Entretanto, de sua cela é possível ver as estrelas e então percebe que quanto mais escura a noite, mais brilhantes se tornam, mais se destacam na escuridão e criam uma intensa e bela harmonia no céu. Uma harmonia que lhe traz um fio de esperança.
Quando se tem a oportunidade de trabalhar o desenvolvimento de profissionais de forma particular, como é meu caso nos processos de coaching de executivos e executivas, percebe-se que os verdadeiros desafios de todos ainda são as questões mais humanas: a busca pela serenidade em meio a momentos turbulentos, a perda do emprego ou de um cargo importante, a morte de nossos pais, a doença em família, quando nosso par nos deixa, quando não há mais dinheiro e os negócios vão mal – enfim, quando nosso mundo está em colapso. Somos todos muito parecidos nesses instantes. A natureza humana é a mesma em nossa essência e a percebemos mais claramente nas situações negativas.
É justamente nelas que precisamos de mais luz daqueles que nos são significativos. Ainda observo o quanto algumas pessoas não são conscientes de sua importância para outras, fora do contexto profissional, principalmente quando vivenciam as experiências mais difíceis. Do mesmo modo que o protagonista do musical, perguntam: “De onde virá a energia das estrelas, para brilharem mais quanto mais a noite avança?”.
Nesse caso basta você observar quem são as estrelas de sua vida. Não precisa procurar muito: são as pessoas que te amam não importa o momento que atravessa. E são paradoxalmente amáveis mesmo quando têm de ser duras com você. Saiba que a energia delas vem de você! Nunca deixe de reconhecer sua importância para essas pessoas. Aquelas que dizem o tempo todo que te amam em palavras, gestos, e-mails, telefone e mesmo tacitamente. Cultive as pessoas que te amam e que querem bem a você não importa o que aconteça e nunca lhe faltará o brilho das estrelas, principalmente quando a noite parecer mais longa e escura que de costume. Saiba que seu valor maior está em sua existência e que embora vivamos em um mundo que nos pede para agir o tempo todo, somos “seres humanos” e não “fazedores humanos”. Este é o maior desafio: em todos os momentos seja o melhor que puder e observe o brilho das estrelas que te cercam – a energia delas é você! Honre-as!
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Enviado por Sílvio Celestino - 18.6.2011 | 11h56m
Sua carreira tem fundamento?
Em geral as pessoas imaginam que a carreira profissional é uma estrutura que a empresa irá fornecer. Uma estrutura formada por cargos hierarquizados e uma regra clara de o quê o profissional deve fazer para chegar aos postos mais elevados e pelos quais a empresa paga maiores salários. A realidade é muito diferente disso. As empresas basicamente são a execução de um plano de investimento que pode funcionar ou não. As estruturas físicas e de pessoas somente podem existir se o plano, especialmente o de vendas, funcionar. Se a empresa não vender, vender com prejuízo ou sem lucro então todos estão comprometidos, não importa quão bem elaborado seja o plano de cargos e salários. Na verdade as organizações estão em luta de vida ou morte por sua própria sobrevivência. Querer que elas sobrevivam e mantenham alguns cargos é pedir muito. Querer que sobrevivam, mantenham os cargos e ainda ofereçam uma estrutura de carreira de longo prazo independente das crises econômicas é pedir o impossível. Afinal, o que ocorreu como plano de carreira de quem trabalhava no Lehman Brothers, que foi varrido do mapa na crise de 2008? E nas empresas que foram compradas por outros grupos no Brasil ou no exterior? Enfim, o profissional deve ser dono de sua própria carreira e ela deve estar baseada em dois fundamentos:
Realização pessoal e financeira.
Por realização pessoal entenda algo muito maior do que simplesmente profissão. Um indivíduo deve saber qual o propósito de sua vida, o que deseja realizar para si e para o mundo. Somente a partir dessa razão é que tem os elementos para definir a carreira profissional. Portanto, a primeira pergunta a responder é: qual o seu propósito? E se você ainda não criou o seu então continue pesquisando: converse com pessoas e frequente lugares que lhe são inspiradores. Leia biografias. Comece pequeno e pense grande. A maioria está insatisfeita na empresa em que trabalha e estará assim em qualquer lugar pelo simples fato de não possuir um propósito. Nessa situação todo lugar é inadequado para o desenvolvimento de sua carreira não importa o quanto mude. Essa é uma das principais razões que encontramos no setor privado e no setor público pessoas que não fazem bem seu trabalho. São indivíduos sem propósito e infelizes e que escolheram sua profissão antes de escolher quem são.
Realização financeira significa que sua carreira é parte do seu plano financeiro de vida. E ele começa com seu entendimento de qual é o padrão de vida que deseja para si. Para defini-lo deve começar pensando sobre as respostas às seguintes perguntas: qual a casa que deseja ter? Qual o carro? Quantas vezes por ano e para onde deseja viajar? Quais roupas deseja ter? Pretende se casar? Ter filhos? Quantos? Não importa qual o padrão e o que deseja muito para sua vida, a única coisa certa é: vai custar dinheiro. Portanto, se não tiver consciência de quanto custa a vida que deseja, jamais se sentirá realizado plenamente em sua carreira, por melhor profissional que seja.
Nossas escolas preparam os alunos para pensar e agir como empregados ou autônomos. Entretanto, certos padrões de vida são possíveis somente se o indivíduo for um empreendedor ou um investidor. E para ser esses dois últimos precisa de educação que não se encontra em escolas: educação financeira.
A sua carreira profissional deve ser um equilíbrio entre esses dois fatores fundamentais: realização pessoal e financeira. Não há sentido em se viver uma vida de privações somente para dizer que faz o que gosta. Adolescentes e crianças podem fazê-lo, pessoas maduras, não. Por outro lado, não adianta ser muito bem-sucedido financeiramente e ter uma vida que odeia, que não lhe preenche e o estressa. Não conheço nenhum problema que fique pior pelo fato da pessoa ter mais dinheiro. Entretanto, há esferas da vida que o dinheiro não acessa. Por isso, na minha experiência de coach o segundo caso é o mais difícil de lidar. Afinal quando todas as contas estão pagas, o dinheiro é abundante, e tudo mais dito e feito, é para si que a pessoa tem de olhar e responder se a vida está valendo a pena ou não. E quando a resposta é negativa, as ações exigem consciência em outras esferas da vida como: relacionamento, espiritualidade, maturidade e trascendência, isto é, sua capacidade de lidar com a própria morte e daqueles que lhe são relevantes. E essas são questões que o dinheiro sozinho não pode resolver.
Meu propósito é preparar líderes e fazê-los se interessar em ocupar posições relevantes nas empresas e no mundo. E todos nós somos líderes de nossa própria vida.
Qual é o seu propósito mesmo?
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